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SEGA se posiciona a favor do aborto

SEGA se junta a lista de empresas de videogame que se posicionam a favor do aborto

A polêmica sobre a questão do aborto nos Estados Unidos continua, ainda mais agora que a Roe vs Wade foi derrubada e cada estado pode legalizar o procedimento ou não. Muitas empresas de videogame tem demonstrado seu apoio às mulheres, e a SEGA não ficou fora dessa, afirmando recentemente, que irá igualar as doações de funcionários feitas a organizações sem fins lucrativos em favor dos direitos reprodutivos.

A empresa também divulgou um comunicado. Veja:

“Na Sega, defendemos a igualdade e acreditamos que a capacidade de fazer escolhas sobre o próprio corpo é um direito humano. Vamos igualar as doações de funcionários para a Planned Parenthood, NARAL Pro-Choice America Foundation e outras organizações sem fins lucrativos credenciadas que apoiam os direitos reprodutivos selecionadas entre os membros da nossa equipe”.

Agora, a SEGA se juntou a lista de empresas de videogame que expressaram seu descontentamente quanto à nova legislação nos Estados Unidos como a Bungie, a Innersloth, a Insomniac Games, a Ubisoft, a Niantic, a Santa Monica Studio, entre muitos outros estúdios.

Entenda o que está acontecendo nos EUA

No dia 24 de junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos (EUA) derrubou a decisão conhecida como Roe vs Wade, de 1973, que garantia acesso ao aborto legal nacionalmente. Agora, cada estado tem o poder de definir se permite ou não esse tipo de procedimento.  A projeção é de que a interrupção voluntária da gravidez será proibida em cerca de metade dos estados americanos.

Seis dos nove membros da Suprema Corte dos Estados Unidos votaram a favor da derrubada da decisão Roe vs Wade, enquanto outros três foram a favor de mantê-la. Atualmente, a Suprema Corte tem uma maioria conservadora por causa do governo de Donald Trump, que, entre 2017 e 2020, indicou pessoas alinhadas a sua visão política para o tribunal dos EUA.

Um dos argumentos utilizados pelos conservadores para derrubar a Roe vs Wade é de que o aborto não é previsto por lei e que a decisão foi baseada apenas em uma interpretação da constituição.

“Nós sustentamos que a Roe e a Casey (decisão de 1992 que reafirmou o direito ao aborto nos EUA) devem ser anuladas. A Constituição não faz referência ao aborto, e tal direito não é implicitamente protegido por qualquer disposição constitucional”, escreveu o juiz que redigiu o novo entendimento.

Agora, os Estados Unidos volta a como era antes de 1973: cada estado era livre para decidir o que quisesse sobre o aborto. Alguns estados como Califórnia, Novo México e Michigan, que tem governos democratas, anunciaram planos para garantir a interrupção legal da gravidez por lei.
Mulheres que quiserem realizar o procedimento em algum estado onde a prática é proibida, terão que viajar para algum estado onde é liberado.
Cerca de um mês atrás, o caso foi vazado para a imprensa e muita gente começou a realizar protestos em favor do aborto.

Como surgiu a Roe vs Wade

Estabelecida em 1973, a Roe vs Wade entendia que o direito ao respeito à vida privada, garantido pela Constituição, estendia-se a casos de aborto. Três anos antes, Jane Roe, uma mãe solo grávida, atacou a constitucionalidade da lei do Texas que tornava aborto um crime. A jurisdição do país assumiu o caso através de um recurso de Jane contra o promotor de Dallas, Henry Wade, mas também pelo recursos de um médico e de um casal sem filhos que queria poder interromper a gravidez legalmente. A lei do Texas contra o aborto acabou sendo derrubada.

Bungie, uma das primeiras a se manifestar sobre o aborto

No dia 4 de maio, em seu site oficial, a Bungie se manifestou sobre os planos do Supremo Tribunal americano em derrubar a Roe versus Wade. O estúdio afirmou ser contra a decisão e disse que a proibição do aborto seria um duro golpe na liberdade nos Estados Unidos da América e nos direitos humanos.

“Na Bungie, acreditamos que todos têm o direito de escolher o seu próprio caminho e que a liberdade é expressa em todas as facetas da vida… A Bungie está comprometida em proteger a liberdade e a privacidade dos seus funcionários e fornecer suporte a todos os funcionários afetados por esta decisão”, disse a empresa em comunicado. “Defender a escolha reprodutiva e a liberdade não é uma decisão difícil de tomar, e a Bungie continua dedicada em defender esses valores”.

Polêmica do Jim Ryan, CEO da Sony

 A partir daí, muitas outras empresas começaram a se manifestar sobre o assunto, mas sempre da forma esperada: Jim Ryan, CEO da Sony, pediu aos funcionários para que respeitassem as diferenças de opinião. Ele disse que a companhia é “multi-facetada e diversa, onde existem muitos pontos de vista diferentes” e que “devemos a cada um e aos milhões de utilizadores o respeito pelas diferenças de opinião entre todos nas nossas comunidades internas e externas. O respeito não significa concordar. Mas é fundamental para quem somos enquanto companhia e enquanto uma marca valorizada a nível mundial”.
Segundo o Bloomberg, os funcionários não ficaram felizes com o tom utilizado pelo chefe da divisão PlayStation e se sentiram “desrespeitados ou banalizados” pelo email.

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Letícia Höfke

Letícia Höfke

Sou jornalista, escritora e completamente apaixonada por tudo que envolve o universo geek - principalmente, o Batman.

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