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A origem de Captain Commando

Captain Commando marcou uma geração de pessoas nos arcades dos anos 90. O game fez um sucesso estrondoso e está na memória de várias pessoas que, na infância, passavam horas nos fliperamas, gastando dinheiro com fichas para ter acesso ao que, na época, havia de mais avançado no mundo dos games.

 Clássico da Capcom, Captain Commando, com sua jogabilidade diferenciada e gráficos bem feitos para época, é único, mesmo fazendo parte de um gênero de jogos que era muito popular no final da década de 80 e início da década de 90: o Beat ´em up. Se você não sabe o que é, eu explico: o Beat ´em up é um gênero de videogame que tem como principal característica a luta corpo a corpo contra múltiplas ondas de inimigos. 

Antes de Captain Commando, em 1989, a Capcom já havia feito sua primeira tentativa de se inserir no gênero Beat 'em up com o jogo Final Fight, que conta a história da jornada do prefeito Mike Haggar para salvar sua filha que foi sequestrada por uma gangue.

 Com Final Fight, a Capcom ganhou muita experiência e praticamente dominou os fliperamas. O game foi um sucesso não só nos arcades, mas nos consoles – como o Super Nintendo e o Sega CD. A reação positiva do público fez a empresa querer investir novamente em um Beat ´em up e planejou uma continuação de Final Fight.  Entretanto, seus planos tiveram de ser mudados por causa de um programador de games chamado Yoshiki Okamoto.

Mesmo não gostando de videogames, Okamoto começou sua carreira como artista gráfico na Konami quando ainda cursava o último ano do colegial. Acredite se quiser: ele foi demitido após pedir um aumento. Quem o acolheu depois disso foi a Capcom. Então, em 1984, ele se juntou à empresa e tornou-se produtor do primeiro Final Fight. 

Mais tarde, quando a empresa sugeriu uma continuação de Final Fight, ele não demonstrou interesse nenhum. Na verdade, Okamoto chegou a ir contra seus chefes e desenvolveu outro jogo: o Street Fighter II The World Warrior, o segundo jogo da série Street Fighter, que não é um Beat 'em up. 

Para quem não conhece, Street Fighter II é considerado um dos melhores games da história e o pai dos jogos de luta. Seu lançamento é visto como um momento revolucionário, que popularizou os jogos de luta já na década de 90. Bom, já deu para perceber que Street Fighter II fez um sucesso muito maior que Final Fight, o que atraiu total atenção da Capcom: a empresa pensou em deixar de lado o gênero Beat ´em up para focar em seu novo queridinho, deixando os planos de continuação de Final Fight na prateleira. 

Aí, um cara chamado Akira Yasuda – mais conhecido pelo seu nome artístico  Akiman -, que havia entrado na Capcom em 1985 graças a Yoshiki Okamoto, que o recrutou para trabalhar em Final Fight e Street Fighter II, começou a desenvolver o projeto de um novo Beat 'em up, que seria o primeiro jogo de 4 jogadores da Capcom. 

Akiman e sua equipe logo começaram pesquisar sobre o que poderia ser esse novo jogo e encontraram inspiração lá nos Estados Unidos, no mascote da Capcom: o Captain Commando. 

Origem do Captain Commando

O Captain Commando já existia muito tempo antes do jogo ser lançado. Isso mesmo. O personagem foi criado em 1986 pela Capcom para uma campanha publicitária. Ele funcionava como um porta-voz e aparecia em manuais de jogos e na caixa dos games desenvolvidos pela empresa para o Nintendinho ou NES. 

O NES foi o primeiro console da Nintendo lançado no mercado dos Estados Unidos, em 1986. Após ter sucesso com jogos para fliperamas, a empresa resolveu entrar no mercado de consoles e criou o Famicom, que logo entrou nas lojas japonesas. No início, o Famicom teve muitos problemas na placa-mãe, mas, após um recall realizado pela fabricante e um acordo com Hudson Soft e a Namco, o console se tornou um dos mais vendidos de 1984. 

Mesmo que o mercado de videogames passasse por um momento delicado nos Estados Unidos – devido a uma série de fatores, entre eles, a saturação –, a Nintendo queria se jogar nas terras do Tio Sam e negociou com a Atari para lançar o Famicom lá, alterando seu nome para Nintendo Advanced Video Gaming System.

A empresa, contudo, enfrentou uma série de problemas envolvendo quebra de exclusividade, e o negócio com a Atari foi desfeito. A Nintendo teve que fazer tudo sozinha; o Famicom teve sua aparência redesenhada e o nome foi alterado para Nintendo Entertainment System – para os íntimos, NES ou Nintendinho. 

Graças ao lançamento do console, houve uma retomada da indústria; seu marketing, voltado para recuperar a confiança dos consumidores, e os jogos de qualidade fizeram o NES se tornar um sucesso. 

Todos os jogos da capcom para NES entre 1986 e 1988 foram lançados pela campanha Captain Commando Challenge Series e tinham um desenho do personagem – um herói espacial futurista com um rifle em cada mão e dois medalhões no pescoço com a letra C – na parte de trás da embalagem. 

Além disso, o manual de instruções também contava com uma mensagem especial do Capitão parabenizando o dono do jogo por comprar um produto da Capcom.  

Uma curiosidade interessante é que o Captain Commando tem esse nome porque as três primeiras letras de “Captain” e as três primeiras letras de “Commando” formam o nome “Capcom”. 

A campanha Capcom Challenge Series teve fim em 1989, e o Captain Commando caiu no esquecimento, mas não por muito tempo, porque Akira Yasuda resolveu “revivê-lo”. 

Personagens de Captain Commando 

Pois é, foram os japoneses – e não os americanos – que resolveram reviver o mascote para dar a ele um jogo próprio. Eles queriam usar o Captain Commando para competir com Teenage Mutant Ninja Turtles: The Arcade Game, as Tartarugas Ninja, fenômeno dos arcades criado pela Konami nos anos 80.  

No game, desenvolvido por Akira Yasuda, Captain Commando aparece repaginado. Agora, ele tem cabelo loiro, um óculos futurista e veste um traje que aumenta sua força e que também lhe dá capacidade de disparar jatos de fogo ou rajadas elétricas. Seu visual é bastante comparado com o de outros dois personagens da Capcom: o soldado do jogo Forgotten Worlds e Ken de Street Fighter 2010. 

Vou fazer um parêntese para falar rapidinho desses dois jogos aqui. Forgotten Worlds, um dos clássicos da Capcom, conta a história do Soldado Desconhecido que, no futuro, em uma Terra completamente devastada e dominada pelas forças do mal, luta contra uma entidade emoníaca. 

Já em Street Fighter 2010, o jogador assume o controle de Ken, um ex-campeão de artes marciais que recebeu implantes cibernéticos que quer vingar a morte de Troy, seu parceiro de laboratório e encontrar quem roubou o “Cyboplasma” – substância que concede força sobre-humana a qualquer organismo vivo. Para isso, vai viajar entre os planetas buscando justiça. 

Agora, voltando para o tema do vídeo. Além de Captain Commando, os desenvolvedores do game resolveram incluir três outros personagens principais e eles são um tanto quanto diferentes. Quer ver?

Mack the Knife (ou Jennety, na versão japonesa) é um alienígena parecido com uma múmia, vindo do espaço. Seu nome americano surgiu por causa de uma famosa música homônima de Bobby Darin, popular nos anos 50. Já o nome japonês foi por causa da palavra “genética”. 

Outro personagem é Ginzu (Sho, na versão japonesa), um ninja super treinado. A origem do nome americano desse personagem é no mínimo curiosa: surgiu por causa das facas de cozinha Ginsu, criadas nos anos 70. Essas facas tinham um famoso comercial na TV em que se dizia que elas cortavam qualquer coisa, até mesmo latas. Isso explica porque Ginzu grita “Vou fatiar! Eu vou picar!” em algumas versões do jogo. 

Para quem quer saber: no Brasil, as facas eram vendidas pela Polishop na primeira metade da década de 90. Tinha até infomerciais na TV Manchete! 

O nome de Ginzu/Sho em japonês é uma homenagem a Sho Kosugi, um ator que ficou famoso na década de 80 por interpretar vários ninjas. 

Por fim, temos Baby Head (Hoover, no japão), um bebê super gênio que luta usando um robô feito por ele mesmo. Seu nome é uma clara referência ao fato de ele ser, bem, um bebê. A versão em japonês traz seu nome verdadeiro; no mangá de Captain Commando foi revelado que seu nome completo é Hoover J. Estefan. 

O vilão do jogo é Scumocide. No Japão, seu nome é Genocide; contudo, isso teve que ser alterado na versão americana para não dar um “mau exemplo” aos jovens que jogariam o Captain Commando.

O jogo se passa em 2026 e conta a história desses heróis que lutam para proteger a Terra de bandidos geneticamente modificados, que estão sendo apoiados pelo vilão Scumocide. Para vencê-los, é preciso, basicamente, cair na porrada com eles. Afinal, é um  Beat ´em up, né? 

É verdade que pouca gente se importa com a trama de um jogo desse gênero, querendo logo sair na porrada com os vilões; Captain Commando veio para suprir isso, já que introduzia direto o jogador na pancadaria, não tendo cutscenes que explicassem a história. 

Sequência espiritual de Final Fight 

É impossível falar de Captain Commando sem citar Final Fight. Isso porque a jogabilidade é bem parecida, como se fosse uma continuação melhorada. Com Final Fight, a Capcom criou seu estilo de Beat ´em up, mas com Captain Commando, ela aperfeiçoou. Agora, dava para correr com os personagens e os desenvolvedores adicionaram mais armas, incluindo armas de fogo e até laser. 

Captain Commando segue a mecânica dos jogos de Beat'em up, tendo um botão de ataque, um para saltos e um para ataque especial. 

Não é só a mecânica do jogo que é semelhante; há muitas referências a Final Fight em Captain Commando: a história se passa na mesma cidade (Metro City) e um busto de Haggar, personagem de Final Fight, é um dos itens. 

Além disso, Captain Commando é bastante parecido com Final Fight no estilo das fases e no design dos inimigos e do cenário. Por causa disso, Captain Commando é praticamente uma continuação espiritual de Final Fight, fazendo parte do universo da Capcom, que une estrategicamente os seus jogos. 

Lançamento

Com tudo pronto, estava na hora do lançamento. Captain Commando foi lançado em 1991, e suas máquinas permitiam até quatro jogadores simultâneos. Dessa forma, a Capcom queria competir com Beat ´em ups da Konami e da Sega. 

O jogo foi um sucesso e se tornou um marco na história da Capcom, popularizando ainda mais nos arcades o gênero Beat ´em up. Posteriormente, Captain Commando ganhou um porte para Super Nintendo em 1995 e uma versão para Playstation 1 em 1998. 

Depois desse jogo, o personagem não ficou esquecido. Apesar de não ter ganhado nunca uma sequência, ele volta a aparecer em Marvel vs Capcom, de 98 e da sequência do game. Além disso, participa dos jogos Capcom World 2 e Namco x Capcom (onde todo o Commando Team pode ser escolhido) e também, da série SNK vs Capcom: Card Clash. 

Captain Commando aparece ainda na festa de aniversário de Eliza, namorada de Ken, que acontece no cenário do amigo de Ryu, em Street Fighter Alpha 2.

O fato é que Captain Commando pode ser um jogo antigo, lá da época dos arcades, mas é garantia de diversão até hoje e não deve ser esquecido, pois foi um marco na indústria de jogos eletrônicos.

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Letícia Höfke

Letícia Höfke

Sou jornalista, escritora e completamente apaixonada por tudo que envolve o universo geek - principalmente, o Batman.

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