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Altruísmo Digital

Altruísmo Digital

As redes sociais são ferramentas perfeitas para o estudo da natureza humana. Ali, nossas carências, desejos e defeitos são exibidos sem pudor e sem filtro em troca de alguns poucos segundos de atenção. O vazio existencial de nossa época é tão intenso que não nos importamos em entregar tão facilmente aquilo que nos é mais íntimo e mais precioso para qualquer estranho que nos reserve uma ínfima fração de seu tempo.

Nossa insegurança sobre nós mesmos é uma companheira inseparável. Fazendo com que exista um processo contínuo de cobrança externa e interna sobre a própria felicidade e sucesso. As postagens devem sempre trazer experiências, fotos e frases que reafirmem êxito em todas as áreas de nossas vidas.

Porém, a existência opera através de oscilações. Vivemos imersos em uma montanha-russa emocional. Os acontecimentos, na maioria das vezes, são imprevisíveis. Temos pouco controle sobre os resultados que buscamos e quase nenhum poder de barganha em relação ao destino.

Essa união entre nossas incertezas e a falta de perspectivas sólidas faz com que vivamos à deriva, mas o ser humano aspira por ancoragem. Dessa forma, desesperadamente buscamos meios que elevem nosso debilitado ego. Uma alternativa socialmente aceita e amplamente praticada é a competição. Nela, o objetivo é a supremacia diante do outro, onde se colocam à prova, habilidades cognitivas e/ou motoras.

Vamos transpor essas ideias aos videogames… Ainda que já existissem há um período considerável, os jogos on-line tiveram uma ascensão vertiginosa na última década. Os eSports se tornaram um nicho de mercado altamente rentável e parte importante da cultural pop contemporânea. Temos uma geração de crianças e adolescente que estão crescendo em meio a arenas virtuais. O problema aqui não é exatamente o fato deles serem expostos desde cedo às batalhas virtuais, mas durante esse processo não serem educados de que há também a possibilidade de cooperação. Ou seja, o outro não precisa ser apenas um adversário a ser superado, ambos podem se unir para benefícios mútuos. Porém, há um terceiro caminho a ser seguido: a do altruísmo digital.

Há um incontável número de jogadores que sentem prazer em prejudicar ou se divertir às custas do fracasso de outros. São raras as iniciativas de pessoas que estendem à mão desconhecidos com a intenção de ajudá-las sem exigirem nenhum tipo de recompensa, mas elas existem. Como veremos a seguir…

Elite Dangerous é um jogo de simulação espacial com representação em escala real dos planetas, estrelas e constelações presentes na Via Láctea, originalmente lançado para Windows, em 16 de dezembro de 2014. Posteriormente, sendo portado para macOs, Xbo One e Playstation 4, respectivamente. Sua proposta soa ambiciosa e de fato é. Os jogadores podem atravessar nossa galáxia, admirar os mais diversos corpos celestes e explorar a superfície de inúmeros sistemas planetários.

De fato, através de algoritmos de cunho procedural, criou-se possibilidades quase infinitas, uma metáfora viva da imensidão dos Universo. Contudo, esse não é o aspecto mais interessante de Elite Dangerous, dois grupos têm sido responsáveis pelos aspectos mais memoráveis dessa viagem: um conhecido por Iridium Wing e o outro chamado de Fuel Rats.

De acordo com uma descrição redigida pelos próprios membros do Iridium Wing, eles têm como único propósito oferecer um serviço de escolta para qualquer explorador que os peça ajuda, não importando o credo, facção ou reputação. Vale ressaltar que esse grupo permanece neutro e não se engaja em nenhum tipo de aliança ou conflito.

Já os Fuel Rats são mais uma organização independente e sem nenhuma forma de hierarquia estabelecida. Sua missão consiste em transferir combustível gratuitamente para pilotos que por algum motivo acabaram ficando com o tanque vazio durante sua jornada pelo Cosmos.

É incrível pensar como ambos se deslocam sem hesitar até aqueles que pedem socorro, sem esperar nada em troca. O único pagamento é a satisfação que nasce de uma boa ação praticada. Iniciativas como essa enchem meu coração de esperança pela possibilidade de que a cooperação se intensifique diante da competição. Afinal, juntos somos mais fortes.

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Eric Filardi

Eric Filardi

Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 28 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade.

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