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Análise | Infernax é um instigante metroidvania brutal

Análise | Infernax é um instigante metroidvania brutal

Quando pensávamos que a vaca do subgênero metroidvania já estava magra, o Berzerk Studio retorna com litros de leite e, muito, muito sangue.

Pra quem cai de paraquedas sem saber do que se trata, é aquilo: um típico jogo de plataforma onde você enfrenta inimigos, explora um mapa por diversas direções, e precisa encontrar algum recurso que te possibilite avançar por áreas anteriormente inacessíveis.


Espere muito sangue em Infernax!
Espere muito sangue em Infernax!


É isso que Infernax faz, mas não do entediante jeito que isso tem sido feito desde a ascensão desses jogos.


Como infernax quebra a monotonia?

Duas mecânicas são alguns dos destaques que não, comumente, vemos em jogos indies de equipes pequenas:

  • Um sistema de dia e noite, fazendo com que certas missões só sejam possíveis durante determinados períodos e com criaturas que só dão as caras quando a lua paira no céu.

Passagens entre a noite e o dia em Infernax
Passagens entre a noite e o dia em Infernax

  • Eventos de tomada de decisão que, além de impactar na história e no final do jogo, também altera atributos do personagem em combate.

Sobre o último ponto, o jogador deverá escolher entre duas opções em determinados eventos e ainda pode optar por fazer, ou não, determinadas tarefas que lhe são pedidas. Quanto às escolhas, elas deixam bem claro que o jogador pode optar seguir pelo caminho do “bem” ou então o do “mal”.

Ponderações como roubar, ou não, as esmolas da igreja; quebrar, ou não, a barragem que mantém uma vila à salvo das águas; destruir ou ajudar um sujeito que sofre de uma doença parasita são alguns exemplos.


Tela de tomada de decisão em Infernax
Tela de tomada de decisão em Infernax

Quem vos escreve, claro, optou pelo caminho do mal. Com isso, em determinado ponto do jogo, o protagonista assume a persona maligna, altera as cores de seu traje e substitui sua clava e escudo por uma espada de duas mãos: assim, a possibilidade de bloquear ataques é substituída por uma arma de maior alcance.

(até o momento, não iniciei uma segunda jogatina para verificar as alterações ao optar pelo caminho do bem. Assim que o fizer, relato aqui)

Mas não se preocupe, Infernax está longe de ser um simulador de conversinha. NPCs possuem curtos diálogos que apenas contribuem com o pano de fundo de um mundo onde há pessoas que querem se ver livre dos males que as assola, e pessoas que só querem o caos.


Protagonista de Infernax ao decidir tocar o terror.
Protagonista de Infernax ao decidir tocar o terror.

Ok, decidi meu caminho. E agora?

A charmosa pixel art em reconhecível paleta de cores, somada à familiares melodias em chiptune, conduzem o jogador por um curto mapa e poucos becos-sem-saída (ufa).

Nada daquele vai-e-vem ou daqueles frustrantes momentos onde você não sabe pra onde ir. Aqui, as missões são bem intuitivas, apenas com uma ou outra tarefa que te obriga a prestar mais atenção nos diálogos à sua volta.

Não há muitos recursos adicionais além de algumas magias e habilidades. Upgrades em Poder, HP e MP são feitos com XP nos santuários que funcionam como checkpoints e, também, através de equipamentos, comprados com moedas nas lojas.

Quanto aos checkpoints, estes são posicionados próximos a locais-chave como, por exemplo, entradas de castelos e masmorras onde o jogador deverá derrotar cinco chefões que guardam o acesso ao chefão final. Ao morrer, o jogador tem duas opções:

  • retornar ao checkpoint com todo progresso de xp e moedas no modo casual
  • retornar ao checkpoint tendo perdido todo o xp e moedas no modo clássico

Orando ao santuário (checkpoint) em Infernax


Há também uma opção nativa para ativar cheat codes através de um modo de acessibilidade. Não que seja necessário, já que Infernax possui dificuldade moderada: inimigos não exigem muita estratégia, progresso pelos castelos não oferecem tantos obstáculos e chefões possuem baixa variedade de ataques, facilitando a memorização no combate.

Um último recurso para facilitar sua vida no game é o grinding. Aqui, ele não é indispensável quanto em muitos RPGs, mas pode facilitar seu progresso, especialmente durante o começo do jogo, quando seu personagem é mais vulnerável à ataques.



Prós

  • Intuitividade no progresso oferece um ótimo fluxo e duração ideal entre clímax e desfecho
  • Caixas de colisão bem feitas e hit boxes honestas
  • Estética e sons estão no capricho para amantes do retro.
  • Sistema de tomada de decisões é bem legal
  • Localização em PT/BR

Contras

  • Combate pouco dinâmico. Uso de magias ou habilidades são mal estimulados.
  • Curva de aprendizagem poderia ser melhor trabalhada. Alguns chefões não são tão difíceis quanto acessar o local onde se encontram.

Conclusão

Infernax traz a dosagem correta dos principais ingredientes necessários à um bom metroidvania, mas desperdiça seu potencial nos confrontos. Animações brutais, cutscenes caprichadas e design grotesco dos chefões compensam o pobre level design.
A narrativa que contempla a dicotomia entre o bem e o mal pode parecer batida, mas a atmosfera montada consegue prender o jogador, além de estimular o fator replay com a proposta de seguir o caminho oposto ao rejogar.
Diria que sim, vale muito a pena jogar pela diversão que o jogo consegue proporcionar em algumas horas. Mas rejogar, eu faria só pela curiosidade.


O jogo chega aqui pela já consagrada Arcade Crew, que também alavancou um dos principais títulos de orgulho ao desenvolvimento de jogos brasileiros: Blazing Chrome, da Joymasher.


Infernax está disponível a partir desta segunda (14) para PlayStation 4, Xbox Series X, Xbox One, Nintendo Switch e Microsoft Windows, via Steam.


Clube do Video Game agradece a agência Massamune que, gentilmente, nos cedeu o código de Infernax para review.

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Fabits

Fabits

Estou aqui para trazer notícias, curiosidades, rumores, matérias interessantes e desinteressantes. Eventuais opiniões expressadas acima são minhas e não necessariamente representam ideais do Clube do Vídeo Game.

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