Tartarugas Ninja: relembre os principais jogos

Quem aí passou parte da infância dedicada em assistir a programação da TV aberta provavelmente se tornou fã das Tartarugas Ninja. Como todo sucesso televisionado, seja oriundo de desenhos animados ou de live-action em longa metragem, jogos de vídeo game são consequências. Evidentemente, as Tartarugas Ninja não ficariam de fora dessa, chegando a receber mais de 50 jogos próprios, além de algumas aparições em jogos de outras franquias.

Você deve saber muito bem que quantidade não está associada com qualidade. Entre estas dezenas de títulos encontramos jogos que dificilmente despertam algum prazer além da nostalgia. Por outro lado, encontramos ótimos títulos clássicos que divertiram diferentes gerações, em diversas plataformas, em todo o mundo.

Abaixo destacamos alguns dos principais e mais relevantes jogos das Tartarugas Ninja, seja pela ótima ou péssima recepção da crítica ou do público:

Teenage Mutant Ninja Turtles – NES (1989)

A primeira vez a gente nunca esquece. Para muitos, a primeira experiência com um jogo das heroicas tartarugas mutantes foi no console 8-bit da Nintendo.

O jogo consiste no clássico ação de plataforma, bem ao estilo de jogos da Konami que víamos até então. Porém, com um diferencial: entre as fases há cenários em visão superior onde é possível se mover em plano horizontal e vertical.

Nele, há a possibilidade de trocar de personagem a qualquer instante, se valendo da variedade de armas de cada herói. E você irá precisar de cada recurso que o jogo lhe fornece, já que ele é extremamente difícil (até mesmo para um jogo de NES).

A fase da água é frequentemente citada em diversas listas como uma das fases mais difíceis em toda história dos video games. Sendo suficiente para traumatizar qualquer pessoa que sequer gostou de fases aquáticas.

Infame fase aquática em TMNT (NES)

Teenage Mutant Ninja Turtles – Arcade (1989)

Com o mesmo título e lançado no mesmo ano, Teenage Mutant Ninja Turtles lançado para o Arcade é um jogo superior em diversos aspectos.

Seu principal diferencial é a possibilidade de jogar entre 4 jogadores, cada um com uma das tartarugas ninjas. Diferentemente do jogo de plataforma para NES, aqui a mecânica segue os jogos de Beat’ em up: aqueles onde sua principal preocupação é avançar, bater nos inimigos e evitar ser atingido.

O gênero possui a vantagem de envelhecer muito bem. Sendo assim, até hoje, mais de 30 anos depois de seu lançamento, ainda é possível se divertir bastante jogando com amigos.

Infelizmente, a jogatina dura menos de uma hora – o que até pode ser considerado como um alívio já que vários títulos deste gênero sofrem com fases e inimigos repetitivos, ocasionando em monotonia.

O jogo foi muito bem recebido, garantindo um frutífero sucesso comercial para Konami contando os ports lançados.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time – Arcade/SNES/Mega Drive (1991)

Como o show tem que continuar, a sequência veio com o Turtles in Time. O jogo segue exatamente a mesma premissa de seu antecessor: uma curta e frenética experiência de andar e bater entre amigos. Para quem já havia jogado e rejogado o clássico por diversas vezes, Turtles in Time aparece como “mais do mesmo”. No entanto, o jogo serviu como base para quem preferia ter a experiência do fliperama em casa.

Dois notáveis ports foram lançados para os principais consoles 16-bit da época. O Super Nintendo recebeu um port sob o mesmo título e o Mega Drive recebeu um port com o nome Teenage Mutant Ninja Turtles: The Hyperstone Heist. Ambos implementaram bem os conceitos e a dinâmica de Turtles in Time, tornando-se os principais jogos da franquia nestes consoles.

Sobre o port para Mega Drive, ele aparece com novo título por conta de novas implementações que o jogo acabou recebendo. Além de pequenas alterações visuais, ele conta com uma narrativa única, novas fases e um novo boss. Ainda assim, é possível fechá-lo em menos de uma hora – tornando-o uma opção interessante nas locadoras de jogos de vídeo game.

Boss em TMNT: The Hyperstone Heist

Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters – SNES/MEGA DRIVE (1993)

Tournament Fighters foi a tentativa da Konami sair de sua zona de conforto na franquia. Como o título do jogo sugere, o estilo Beat’ em Up é deixado de lado para trazer um torneio de lutadores do tipo um contra um.

Além dos quatro heróis, o jogador também pode escolher outros personagens, alguns oriundos dos quadrinhos e outros desenvolvidos especialmente para o jogo.

Teenage Mutant Ninja Turtles - Tournament Fighters (Genesis) : retrogaming
Tela de seleção de personagens em TMNT: Tournament Fighters (versão de Mega Drive)

A experiência passa longe de jogar um Street Fighter ou Mortal Kombat, se mostrando como um jogo vendável unicamente por conta da famosa franquia. Há um tremendo desbalanceamento entre os personagens e o sistema impreciso de hitboxes pode ocasionar uma experiência frustrante aos jogadores mais competitivos.

Com cores mais exuberantes, mais botões disponíveis e maior qualidade sonora, a versão de Super Nintendo é comumente referenciada como prova da superioridade de hardware sobre o concorrente da Sega.

Teenage Mutant Ninja Turtles – GameCube/Xbox/PlayStation 2 (2003)

Estranhamente, nenhum dos jogos das Tartarugas Ninja foi lançado para algum console de quinta-geração. Nada no Sega Saturn, no PlaySation e muito menos no Nintendo 64. O jejum só foi quebrado na sexta-geração com este multi-plataforma baseado no seriado animado de 2003.

Embora tenha gráficos impressionantes para a época, sendo um dos primeiros jogos a utilizar a técnica de cel shading, o jogo não foi muito além disto. A limitação de poder jogar apenas entre 2 jogadores foi um fator decepcionante na época, assim como seu nível de dificuldade – sendo consideravelmente fácil até nos mais altos desafios propostos pelo jogo.

Tanto a crítica quanto os fãs das antigas receberam o jogo negativamente, sendo apenas indicado ao público infantil embora o seriado original fosse bem aceito por todas fãs de todas as idades.

Teenage Mutant Ninja Turtles 3: Mutant Nightmare – GameCube/Nintendo DS/Xbox/PlayStation 2 (2005)

A Konami tentou se redimir por mais de uma vez. Uma sequência ao jogo de 2003 foi lançada com algumas correções realizadas sobre seu antecessor. No segundo jogo da série, por exemplo, finalmente foi possível jogar com 4 jogadores simultaneamente. Novas mecânicas foram implementadas e, mesmo assim, não foram suficientes para agradar os fãs ou a crítica.

Restava outra tentativa para Konami. No terceiro jogo desta série, Teenage Mutant Ninja Turtles 3: Mutant Nightmare, alguns erros cometidos em jogos passados não foram negligenciados. A inteligência artificial dos inimigos foi levemente aperfeiçoada, puzzles e fases de veículos foram aperfeiçoados e o sistema de câmeras se mostrou menos caótico.

Novamente, o jogo decepcionou. Entre as críticas mais generosas, a Gamespot descreve atribuindo a medíocre nota de 5.3/10:

Simplesmente não há muito jogo aqui que valha a pena jogar, e as poucas partes que valem a pena estão enterradas sob um monte de combates excessivamente simplistas, e geralmente maçantes, com bandidos fáceis de matar.

Foi a pá de cal na trajetória da Konami com os jogos da franquia.

TMNT – Multiplataformas (2007)

Depois de dois longos anos repletos de títulos inexpressivos e genéricos lançados para dispositivos portáteis, foi a vez de uma grande desenvolvedora herdar os direitos da Konami para produzir um jogos das Tartarugas Ninja.

A gigante Ubisoft tomou o projeto para entregar um jogo baseado no longa metragem animado daquele ano. O resultado foi algo bem diferente do que costumávamos ver com os jogos da Konami: os gráficos coloridos e cartunescos foram substituídos por texturas realísticas e um design amadurecido.

Capa de TMNT para o Nintendo Wii

Ao mesmo tempo, o jogo caiu em algumas falhas cometidas pela desenvolvedora anterior: deixou o multiplayer de lado, negligenciou dificuldades maiores e não proporcionou soluções para a monotonia do gênero.

Em análises especializadas o título até foi comparado com o clássico jogo de Arcade de 1989, sendo dito que TMNT sequer chegava aos seus pés. Que dureza!

Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time Re-Shelled – XBOX 360/Playstation 3 (2009)

Era uma questão de honra para Ubisoft mostrar que ela conseguia fazer jogos das Tartarugas Ninja tão bom quanto os clássicos. A prova foi justamente o remake de Turtles in Time, agora chamado Turtles in Time Re-Shelled.

Aqui eles acertaram pra valer. Mantiveram o multiplayer para 4 jogadores, a rolagem lateral e os comandos simples, recauchutando sons e gráficos, dando mais fluiz às animações e mais dinâmicas aos combates em grupo.

Um jogo excelente que, infelizmente, não está mais disponível para jogar hoje em dia.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows – Playstation 3/Xbox 360/Windows (2013)

Veteranos da Red Fly Studios, com um empurrãozinho da Activision, ousaram desenvolver um jogo com a premissa parecida com a de TMNT de 2007. Novamente com gráficos mais realistas e design amadurecido, o jogo aproximou a câmera dos personagens para dar um tom mais cinematográfico com diversos trechos jogados em visão de terceira pessoa.

O combate é consideravelmente divertido. Nele, as diferenças entre os quatro personagens são notáveis, com uma diferente gama de movesets e habilidades nunca antes vistas em jogos da franquia. Com isso, o jogador deve realmente ponderar sobre o estilo de combate que prefere seguir ao invés de simplesmente escolher seu personagem predileto.

Por incrível que pareça, o jogo também foi mal recebido pela crítica e bateu apenas 38/100 no Metacritic. O jogo foi permanentemente removido das lojas digitais em 2017 com a Activision desistindo de renovar sua licença para este título.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Danger of the Ooze – Playstation 3/Xbox 360/3DS (2013)

O segundo título baseado na série animada de 2012 ficou a cargo da WayForward com aval da Activision.

Danger of the Ooze é a feijoada dos jogos da franquia. Sua gameplay mistura elementos de diversos jogos clássicos, com um toque de metroidvania, trazendo o formato retrô para a nova geração.

O inusitado game foi o que mais dividiu os fãs da franquia em opiniões extremas. Há aqueles que adoraram e aqueles que odiaram.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutants in Manhattan – Multiplataformas (2016)

Com o jogo anterior, a Activision descobriu que ainda havia muito terreno a ser explorado no universo da franquia. Foi aí que a renomada PlatinumGames foi escolhida para produzir aquele que é um dos jogos preferidos pelos fãs.

Arte promocional utilizada no jogo TMNT: Mutants in Manhattan

No quesito movimentação o jogo é um espetáculo, com navegação semelhante a de jogos em mundo aberto, implementando elementos de jogos de ação sob trilhos como Jet Set Radio.

O visual em cell shading é trazido de volta e apontado como um dos principais acertos do jogo pela crítica – um jogo divertido para assistir e ainda mais divertido para se jogar.

Infelizmente, o título encerra nossa lista de jogos relevante das Tartarugas Ninja lançado até então. Fãs dos outros jogos mobile que nos perdoem.

E quanto aos jogos das Tartarugas Ninja feitos por fãs?

Grande parte consiste em RPGs, Beat’ em Ups e Mugens genéricos. Um que certamente vale a pena destacar é Teenage Mutant Ninja Turtles: Rescue-Palooza! que traz o total de 60 personagens jogáveis!

Arte promocional do fangame Teenage Mutant Ninja Turtles: Rescue-Palooza!

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