Análise: The Last of Us: Part II

Análise The Last of Us: Part II

Em 2013, The Last of Us foi lançado para PlayStation 3 e no ano seguinte para o PlayStation 4. Com direção de Bruce Straley e Neil Druckmann, o game foi aclamado desde o seu lançamento. A história de uma pandemia causada pelo fungo Cordyceps e dos seus protagonistas, Joel e Ellie, fez a Naughty Dog ser um dos estúdios mais respeitados da indústria dos games.

Com The Last of Us Part II isso não é diferente. A segunda parte de The Last of Us é o trabalho mais ambicioso da Naughty Dog e se passa 5 anos após os acontecimentos no hospital, no fim da primeiro jogo. Lá, vimos o que uma pessoa é capaz de fazer por amor e por uma vida, não enxergando as consequências. Já em The Last of Us Part II, o questionamento é outro: até onde a vingança te move?

Esta análise foi feita com uma cópia cedida pela PlayStation Brasil e pode conter possíveis spoilers.

Uma história sobre vingança e suas consequências

A história se passa 4 anos após os eventos do primeiro jogo. De início, acompanhamos Joel e Ellie vivendo uma vida tranquila em uma ampla comunidade em Jackson. Todas as conexões com The Last of Us estão aqui. Podemos ver Joel cantando e ensinando a Ellie a tocar violão, por exemplo.

Enquanto Joel e seu irmão Tommy administram a comunidade, Ellie e seus amigos dividem a rotina de patrulhar ao redor de Jackson, buscando suplementos e eliminando infectados. É aí que passamos a conhecer Jesse e Dina, amigos de Ellie.
Tudo ia muito bem, até que um acontecimento trágico acontece e Ellie parte para sua jornada em busca de vingança. E é nesse acontecimento que o jogo introduz Abby. No segundo capítulo do jogo, podemos dizer que o palco é das mulheres. Tanto Ellie quanto Abby são personagens jogáveis durante toda a campanha.

Ellie então parte para Seattle e aqui encontramos um mundo bem mais amplo que no capítulo anterior. Com a ajuda de um mapa, que lembra muito o design do mapa usado por Chloe em Uncharted: The Lost Legacy, trabalho anterior da Naughty Dog. Entre o percurso de Ellie, é mostrado alguns flashbacks de 4 anos atrás, que dá mais camadas aos personagens e consegue tirar algumas curiosidades do jogador sobre os questionamentos dela em relação a escolha de Joel e como a mesma aprendeu a nadar, por exemplo. Tudo delicadamente é apresentado para o jogador.

Depois de algumas horas conhecemos mais sobre a nova personagem, Abby. Suas origens, seu dia-a-dia, suas motivações e seus medos, Tudo é explicado de uma forma totalmente clara e coerente. Ao longo da campanha, o jogador vai destrinchando todas as suas atitudes, crenças e objetivos.

The Last of Us Part II apresenta novos tipos de inimigos. Os Vagalumes – a facção presente no primeiro jogo – não existe mais e durante a história conhecemos a WLF: Washington Liberation Front, que é uma organização militar localizada em Seatlle.
Geralmente, eles andam em grupos e utilizam cães que conseguem detectar o jogador, rastreando o seu cheiro.

Temos também os Serafitas (ou Cicatrizes), uma facção extremista religiosa, que estão atualmente em guerra com a WLF. Em relação aos infectados, temos o retorno dos estaladores, baiacus e os corredores. Além disso, temos novos estados de infectados como os trôpegos, que emitem um gás tóxico quando se aproximam e os espreitadores que conseguem se esconder e atacar, sem nem ao menos o jogador perceber.

Jogabilidade acessível a todos

A jogabilidade de The Last of Us: Part II está bem mais ágil do que o primeiro, com duas novas mecânicas adicionadas: a esquiva e a opção de rastejar pelo chão.
O sistema de esquiva é bem intuitivo e fácil de aprender, além de facilitar muito no combate corpo-a-corpo, enquanto que a habilidade de rastejar ajuda na abordagem furtiva, permitindo que o jogador se rasteje pela grama ou se posicione embaixo dos veículos. Outra ação que foi adicionada é o botão de pulo, que no início podem levar o jogador a se confundir com os botões ou não acertar o timing de execução do movimento.

As habilidades que já estavam presentes em The Last of Us foram divididas em diversas categorias como: Sobrevivência, Fabricação, Furtividade, Precisão e Explosivos. Assim, o jogador poderá aprendê-las conforme seja o seu estilo de gameplay.

Outro destaque do jogo o seu design de som. É de suma importância que em games do gênero shooter/FPS que haja uma qualidade de áudio excelente. Sendo assim, The Last of Us: Part II não decepciona, executando com maestria e excelência sua parte sonora, seja no som dos infectados ou durante a batalha contra os humanos. Além disso, o jogo também conta com uma trilha sonora inesquecível assinada novamente pelo Gustavo Santaolalla. A dublagem também é um ponto forte, tanto em português do Brasil quanto em inglês. Assim como o primeiro game, temos aqui um dos mais belos trabalhos de dublagem na indústria dos games.

Visando atingir todos os jogadores, a equipe da Naughty Dog também adicionou novas opções de acessibilidade. Um dos destaques é a adição da assistência de navegação e a conversão de texto em fala, que auxilia pessoas com deficiência visual transmitindo informações dentro do jogo através do som e da vibração.
The Last of Us: Part II também está bem otimizado. Por isso, donos de PlayStation 4 base ou a versão Slim não encontrarão problemas de performance durante toda a campanha.

Um milhão de sensações

Análise The Last of Us: Part II ellie

The Last of Us: Part II é um daqueles games raros que vão fazer parte da sua vida para sempre. Ao contrário de muitos jogos com foco na história, a Naughty Dog soube inovar e dar aquela pitada de ousadia que encaixa tão perfeitamente com o ciclo da série. 

Com um roteiro ácido e envolvente, Neil Druckmann não dá um prêmio de herói para nenhum personagem. Em The Last of Us: Part II, ninguém está certo. Todos têm as suas fraquezas, seus medos, suas razões. Cada protagonista já está de alguma forma corrompida pela vingança.

O jogo é um presente para os amantes de uma boa história, seja nos games ou em filmes e séries. O final de The Last of Us: Part II consegue te calar, tirar o seu chão e até o seu ar, sendo uma das experiências raríssimas que um videogame pode proporcionar, o que o torna um jogo mais que obrigatório para os donos de um PlayStation 4.