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Imagem promocional de Portal 2

Portal 2: A sequência que superou o jogo original

Após o enorme sucesso de Portal, algo inesperado pela Valve, a desenvolvedora apostou em uma sequência do novo queridinho da empresa. Com o mesmo foco, em seu humor irreverente e resolução de puzzles, mas com a adição de novos personagens e desafios, a empresa optou por publicar um jogo novo jogo independente, totalmente standalone.

E foi assim que Portal 2 nasceu, graças ao enorme carinho dos fãs e o enorme potencial criativo que o primeiro título havia demonstrado.

Desenvolvimento

Lançado em 2007, o jogo original da franquia Portal foi uma surpresa para a Valve, que o lançou como parte do pacote “The Orange Box”. O enorme sucesso do título, publicado junto de Half-Life 2 e Team Fortress 2, garantiu uma sequência imediata da franquia.

Assim que o jogo conquistou uma grande legião de fãs, a empresa iniciou o desenvolvimento do que se tornaria Portal 2. Com uma equipe maior do que a empregada no primeiro jogo, o projeto inicial seria um prequel de Portal, com uma história anterior as Portal Guns.

Ao invés do sistema de portais do primeiro jogo, a Valve pretendia usar o chamado “F-Stop”: um aparelho capaz de replicar objetos dos cenários. O item também seria criação da Aperture Science, empresa por trás dos eventos de Portal, e traria uma nova mecânica para o jogo.

Por conta disso, a sequência traria uma nova protagonista, que enfrentaria uma GLaDOS mais nova. Assim, jogadores passariam por experiências e acontecimentos anteriores aos de Chell, personagem principal do primeiro jogo.

Retorno dos Portais

Apesar de iniciar a criação do jogo com a ideia de uma grande mudança, o retorno dado pelos jogadores que testaram o título foi bem negativo. O fato de GLaDOS não reconhecer o jogador, assim como a falta da tão amada mecânica, fez com que a Valve percebesse o desejo dos fãs por uma sequência.

Assim, a empresa optou por trazer Chell de volta, adicionando uma passagem de tempo entre o jogo original e Portal 2. Isso pode ser notado em diversos momentos, já que várias das câmaras de teste da sequência são as mesmas do primeiro game (porém mais desgastadas).

Câmara de testes de Portal 2

Novidades de gameplay

Já a grande revolução de Portal 2 foi a mecânica de géis, que possui quatro possibilidades: repulsão, propulsão, conversão e remoção. Por coincidência ou não, o sistema foi descoberto da mesma forma que Narbacular Drop, que deu origem ao primeiro jogo: como uma criação de alunos do DigiPen Institute of Technology.

Desenvolvedores da Valve encontraram o jogo Tag: The Power of Paint, criado pela Tag Team, na feira de profissões do instituto. Com isso, a empresa viu na mecânica uma possibilidade de incrementar a gameplay de Portal.

E com as novas mecânicas, os responsáveis pelo design do jogo tiveram que focar ainda mais na física vista na sequência, já que os géis adicionaram uma nova nova camada de gameplay. Assim, Portal 2 foi criado utilizando o game original como esqueleto, elevando todos os elementos do título, além de adicionar novas mecânicas.

Modo cooperativo

Com uma equipe maior, trabalhando em conjunto para criar o jogo, os desenvolvedores de Portal 2 notaram que as mecânicas do jogo poderiam ser muito bem utilizadas em um modo multiplayer. A Valve optou por criar um modo co-op para o novo jogo, colocando jogadores nos papéis de ATLAS e P-Body.

No modo, os fãs devem trabalhar juntos para navegar pelas várias salas de teste presentes no jogo. O multiplayer traz GLaDOS de volta, além de diversas possibilidades inéditas por conta do uso de mais de uma Portal Gun.

Expansão de universo

Um dos focos da Valve em Portal 2, além da evolução de gameplay, foi expandir o universo da franquia, o mesmo de Half-Life. A decisão fez com que a trama da sequência explicasse mais sobre GLaDOS e a própria Aperture.

Assim, a inteligência artificial interpretada por Ellen McLain ganhou ainda mais destaque do que no seu jogo de estreia da franquia. O resultado? Um jogo com mais de 13 mil linhas de diálogo gravadas, contando falas do modo campanha e co-op.

Lançamento e recepção

Para revelar publicamente que Portal 2 seria uma sequência direta do primeiro jogo, a Valve publicou uma atualização para o jogo original. O update adicionava uma cena que mostra Chell sendo levada de volta para as instalações da Aperture após superar GLaDOS.

E com a confirmação de que a história não havia chegado ao fim, a Valve anunciou o segundo game para 2010. A informação incendiou a comunidade de fãs do game, que ficou animada pelas novidades reveladas pela empresa.

Contudo, o jogo foi adiado para o ano seguinte, para que os ajustes finais nas câmaras de testes e na física dos géis fossem feitos. Então, em 19 de abril de 2011, Portal 2 chegou aos fãs oficialmente, como um dos principais títulos lançados no ano.

Publicado no aniversário de seis anos de Narbacular Drop, Portal 2 alcançou a nota 95 no Metacritic, onde o máximo é 100, e foi uma unanimidade entre a mídia especializada. Os avanços e novas mecânicas introduzidas na sequência foram extremamente elogiados, assim como a dublagem e a adição de novos personagens.

Além de Ellen McLain como GLaDOS, a presença do robô Wheatley, interpretado por Stephen Merchant, foi algo que surpreendeu os fãs da franquia positivamente. O novo personagem é um módulo de inteligência artificial criado para conter a vilã do primeiro jogo, mas não é tão inteligente assim, rendendo boas risadas aos jogadores.

Outra surpresa agradável foi a presença do ator J. K. Simmons, que deu voz ao fundados da Aperture Science, Cave Johnson. Conhecido na época por interpretar J. Jonas Jameson, o chefe do Clarim Diário em Homem-Aranha, o ator viria a ganhar um Oscar anos após trabalhar em Portal 2.

Legado de Portal 2

Enfim, a sequência se tornou a experiência última da franquia Portal, sendo considerada um dos melhores e mais inovadores jogos do século. Atualmente, a física realista é algo que tem se tornado comum em diversos gêneros de jogos, mas antes disso Portal 2 foi uma evolução nesse conceito, empurrando os limites da indústria de games de sua época.

A franquia não recebeu um novo jogo após este, porém o universo de Portal teve uma expansao recente, com o lançamento de Aperture Desk Job. Lançado em 1 de março de 2022, o jogo é uma demo disponibilizada gratuitamente para PC e Steam Deck.

O título mostra uma Aperture Science muito antes dos eventos que vemos em Portal e Portal 2 e é uma pedida para os que sentem saudade do mundo confuso e super interessante da série.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

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